Violência de género também atinge mulheres no Jornalismo

Publicado a 27/11/2017

Inquérito da FIJ junto de quase 400 mulheres em 50 países revela que uma em cada duas jornalistas foi vítima de alguma forma de violência na sua atividade profissional.


Quase uma em cada duas jornalistas foi vítima de alguma forma de violência no trabalho, seja assédio sexual, abuso psicológico ou via online e outras formas de violência de género, segundo um inquérito realizado pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) junto de quase 400 jornalistas em 50 países.

Mais: 85% das respostas indicam que "nenhuma ação foi adotada ou houve ações inadequadas para punir os responsáveis e muitos locais de trabalho nem sequer dispõem de política definida para contrariar estes abusos ou até de mecanismos para os reportar".

O inquérito, realizado no contexto do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres revelou dados como estes: 48% sofreram violência de género no trabalho; 44% foram vítimas de abusos via online; entre as formas mais comuns de violência de género estão insultos verbais (63%), abusos psicológicos (41%), assédio sexual (37%) e abuso económico (21%), mas a violência física também afetou 11%.

Outros dados do inquérito: 45% dos responsáveis pelos atos de violência de género foram protagonistas fora do local de trabalho (fontes, políticos, leitores ou ouvintes) e 38% eram chefes diretos ou supervisores; 39% foram vítimas de assaltantes desconhecidos; dois terços das vítimas não apresentaram queixa formal; de entre as que se queixaram, 84,8% não acreditam que tenham sido adotadas as medidas mais adequadas contra os responsáveis pelos atos; apenas 12,3% ficaram satisfeitas com o resultado da queixa.

"O facto de as mulheres se sentirem livres para abordarem os abusos de que são vítimas deve encorajar o estabelecimento e o reforço das regras, mas acima de tudo a sua aplicação para que seja colocado um ponto final na violência de género e no assédio", considerou Philippe Leruth, presidente da FIJ. "Além disso, mesmo nos locais de trabalho em que a igualdade salarial está assegurada em acordos coletivos, uma política equitativa de promoção livre de assédio deve ser ativada como foma de também ser ultrapassada a violência económica de que as mulheres são vítimas."

Para Anthony Bellanger, secretário-geral da FIJ, "acordos coletivos de trabalho, mecanismos robustos para a divulgação dos casos e medidas efetivas contra os responsáveis são urgentes para lutar contra esta terrível realidade da violência de género no trabalho e essa é uma prioridade diária da FIJ".

A FIJ tem em marcha uma campanha mundial para a constituição de uma nova convenção laboral que coloque um fim às várias formas de violência de género. Os interessados podem saber mais e participar aqui.