DOMINGO
19 de Novembro de 2017 | 04:32

FIJ lança campanha de apoio a jornalistas iranianos da BBC

Publicado a 09/11/2017 NOTÍCIAS

Vários profissionais de comunicação que trabalham para o serviço de língua persa em Londres estão acusados de diversos crimes, algo que os impede de fazer qualquer viagem ao Irão, sob pena de serem detidos.


Sob a hashtag #StopTargetingJournalists, a Federação Internacional dos Jornalistas lançou uma campanha global de solidariedade e apoio junto da comunidade internacional em que pede ao governo do Irão que desista das acusações feitas a vários jornalistas iranianos que trabalham na BBC, em Londres, assegurando o serviço de língua persa.

Anthony Bellanger, secretário-geral da FIJ, sintetizou: "A perseguição persistente deve acabar já e as autoridades iranianas devem retirar as acusações impostas aos profissionais, terminando com as medidas de constrangimento que lhes foram impostas."

Segundo a FIJ, os profissionais em causa estão "acusados de conspiração contra a segurança nacional do Irão, seguindo-se a um decreto, datado de julho último, que impede 152 indivíduos de comprar ou vender propriedades no país, além de os seus bens terem sido congelados".

No caso do serviço em língua persa, cujas transmissões através da BBC para o Irão se iniciaram em 2009, os jornalistas que o garantem são alvo de assédio e perseguição há vários anos. O secretário-geral da União Nacional de Jornalistas (NUJ), Michelle Stanistreet, revelou: "Trata-se de ações que aumentam os castigo coletivos aos jornalistas e são uma tentativa óbvia de intimidação. Na prática, os profissionais em causa não podem defender-se a nãoser que se desloquem ao Irão e, caso o façam, existem fortes probabilidades de que acabem na prisão. Numerosos familiares e amigos dos jornalistas visados foram interrogados pelos serviços secretos iranianos, ameaçados e convencidos a uma de duas coisas - pressão para que digam aos seus próximos para abandonarem os empregos em Londres ou disponibilidade para os espiar."

Entre os exemplos apresentados pela NUJ estão o caso de uma sexagenária, forçada a ficar de cara voltada para a parede enquanto era interrogada durante a noite por cinco homens que usavam balaclavas. Na altura, a mulher em causa foi avisada de que o seu filho tinha a vida em risco, uma vez que havia muitos acidentes de carro fatais em Londres. Outro caso referido foi o de uma criança de seis anos convocada para prestar declarações sobre a irmã que trabalha na BBC. "Vários elementos de famílias diferentes foram presos e a irmã de uma profissional da BBC foi colocada na Evin Jail para a pressionarem no sentido de deixar o emprego em Londres. Uma vez que isso não resultou, quem a interrogava quis convencê-la a trabalhar como espiã para o governo iraniano", indica a FIJ.




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